De pés descalços ela corre para escapar da chuva. Cabelos desgrenhados grudando no seu rosto assustado, sujeira escorrendo da sua roupa de chita, ao menos ficará limpa amanhã. Na trouxa embolada de pano nada mais do que uma maçã mordiscada ao qual achou numa lata de lixo. O Bicho, diria Bandeira. Moleca, Trombadinha, Piveta, diriam as pessoas normais. E ela apenas procurando um lugar seco, em paz, para saborear o seu jantar e dormir. Sorte de ser sozinha, e preocupar-se apenas com si mesma. Tão egoísta. Cata uns folhetos de uma loja e forra o local escolhido, luxo é quando dorme sobre o fofo do papelão. Deita-se e adormece olhando os pingos mancharem as luzes da cidade morta. Nem demora muito um carro passa rápido, é a polícia que acorda a garota com o barulho das sirenes. Nada com o que se preocupar, ela é o perigo lá fora. Ela é a vergonha lá fora. Ela, uma menina de rua.
C. Sarah
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