10-08-10
Escrita numa folha de papel do meu caderno era a carta. Nós estávamos entediadas então decidimos escrever uma história. Naquele dia era pra gente criar um personagem, imaginar como ele era fisicamente e dar uma personalidade a ele. Não tinha ficado acordado que o personagem tinha que se parecer com a gente. A idéia era cada uma escrever uma carta para depois juntarmos as histórias e quem sabe sair alguma coisa legal. Foi ficando tarde e nós acabamos adormecendo antes de ler as cartas uma da outra. No dia seguinte ela simplesmente arrancou uma folha do meu caderno e me entregou dizendo se tratar de uma carta suicida.
Recordo-me que eu achei incrível. Uma carta suicida era perfeita para minha história. Eu não tenho por que mentir. Eu nem sequer cheguei a ler a carta, eu a perdi naquele mesmo dia. Eu deveria ter lido naquela hora, eu deveria ter lido quando ela a escreveu. O certo é que eu nunca vou saber o que estava contido ali. Eu poderia pedir para que ela me contasse, sim eu poderia. Eu faria isso se aquela carta suicida não fosse a carta suicida dela, e se ela não estivesse morta nesse momento.
Eu nunca saberei o motivo que a levou cometer esse ato. Antes de morrer ela apenas me assegurou que me ajudaria com a minha história. Eu nunca imaginei que o personagem pudesse ser ela.
Hoje fico imaginando o que teria acontecido se eu não tivesse perdido a carta. Talvez eu pudesse ter evitado a tragédia, vai saber. Eu não sei. Ela era a minha melhor amiga e eu não sei se a vida dela era vazia o bastante, ou se ela estava triste com algo. A única coisa que eu sei é que ela me deixou uma história e eu a perdi.
C. Sarah.
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