Que tristes os caminhos, se não fora a mágica presença das estrelas.
( Mário Quintana)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Relógio na ilha de Calypso



Tranças com fitas coloridas desenham o rostinho de menina moça de Sofia. Na cabeça dela sábios sofismas martelam as idéias que fluem para o coração quebrado porque Sofia se apaixonou. A pobrezinha precocemente sentiu o encanto e o desengano das hiperbolias que se reconhece no primeiro amor. A jovem Sofia maldiz o tempo e sofre com o medo de nada passar. Era tão doce, tão puro, eterno, e mesmo assim teve final. Não pra Sofia, que agora chora, soluça e declara que nunca mais virá a amar. Ela lembrara os dias atrás quando as horas injustas passavam num triz, e ao ver o relógio na sua frente, onde os ponteiros tão lentamente percorrem sua rota, se desespera.  O tempo é incerto, um dia, uma hora, quem sabe demora um pouco mais. Mas pra Sofia tudo é intenso, o tempo imenso e por acaso pareceu parar.      
 

C. Sarah

* Calypso ,segundo a mitologia, foi aprisionada na ilha de Ogygia por ficar contra o seu pai, Atlas. Lá o tempo era totalmente relativo. Semanas poderiam ser apenas um dia em outro lugar, ou o inverso. O castigo de Calypso era a solidão, mas ás vezes, passados uns mil anos, algum herói era mandado para que ela o ajudasse. Calipso lhe oferecia a imortalidade em troca da companhia eterna. Porém, nunca o herói aceitava a proposta de morar na ilha das horas incertas e ela sempre ficava sozinha chorando a desilusão.



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