Fumaça no vale. Quietude. O grito de guerra ecoa presente na memória dos vencedores que andam por entre as pilhas humanas procurando os rostos amigos. Sobreviventes, mutilados, e mortos. Esses são os merecedores das condecorações de honra e glória atreladas ao campo de batalha. Recolhem o aço, nos braços o escudo, e pulam as poças. Olhai que nem houve chuva, apenas trovões. Mas tudo cessou. Nika! Nika!Vitória. A cavalaria se retira deixando pra trás a carnificina inimiga. Mais tarde os derrotados virão buscar seus mortos antes que as aves negras providenciem destino melhor. Sai o mensageiro a galope adiantado, reportará a notícia: Nika. A viagem é longa, os feridos são muitos, e alguns cravarão suas cruzes no caminho para casa. Outros, os velhos, beberão do vinho e ficarão para trás. Todos, porém, heróis, dignos soldados. Quanto mais maculada a morte, mais coragem e mais respeito. Decapitação. Honra. Espada no peito. Glória. Aproximada a caravana, as crianças se agitam e correm para avisar as mães, esposas e filhas que buscam as faces esperadas. É tão fácil enxergar o reconhecimento como, também, a dor abafada pelo sentimento de vitória, quando a perda é o seu real sentir. O elmo é entregue nas mãos da família, troféu sangrento do homem algoz que morreu vencedor.
C. Sarah
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