Que tristes os caminhos, se não fora a mágica presença das estrelas.
( Mário Quintana)

sábado, 20 de agosto de 2011

Memória

Ás vezes você se perde pensando tentando resgatar um momento da sua vida que te deixou feliz. Ás vezes a lembrança é traidora e aumenta mais do que deveria ser, te deixa confusa, saudosa. Porque a memória tem câmera lenta, luz especial, imagem em alta definição, e todo tipo de efeito, só pra você querer voltar naquele momento de qualquer jeito.  Aí você mergulha na cena, os seus olhos ficam vidrados, nada está sendo visto, tudo esta sendo pensado. Há ecos do lado de fora e dedos estalando nos seus ouvidos para tentar fazer você acordar, mas você nem liga. O único som que você realmente escuta está dentro de você mesmo, na sua cabeça. Sim, a realidade é aquela. E você tem o direito de se perder por lá. Você analisa os detalhes, ressaltando as cores, fazendo o instante, repetidas e repetidas vezes. De repente, o acontecido não basta e você resolve melhorar a cena. Isso. Você se torna o seu próprio diretor. “E se eu tivesse feito isso?”, “Se tivesse dito aquilo?”, “E se fosse noite ao invés de dia?”, você pensa, recriando tudo e deixando a cena ainda mais perfeita. Você se vê bonita, porque teve a melhor maquiagem que alguém poderia fazer. Ou então, você se vê confiante, pois trazia a certeza de que tudo iria ocorrer bem. E a cena finaliza impecável. Só que o seu coração não acelera como deveria. Nem você sente o sorriso de prazer e alívio brotar nos seus lábios porque deu tudo certo, você o sabia desde o início. E já não era a sua memória trabalhando, mas a sua imaginação.  Então você percebe que nada deveria ser mudado, porque a memória que você guardava já era feliz demais, talvez a mais feliz de todas. A imaginação está sempre criando e recriando tudo e você não pode impedi-la de fazer isso. Mas aquela memória, você vai querê-la imutável, para revivê-la sempre que tiver vontade de ser feliz outra vez. 



C. Sarah

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